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AYAO OKAMOTO

Nasceu em Assaí, Paraná em 1953. Graduado em Artes pela Fundação Armando Álvares Penteado-FAAP, é Mestre e Doutor pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ECA-USP. É professor, artista visual e designer. Desde 1976 participa de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, entre as principais:

SP/Arte, Fundação Bienal de São Paulo, 2010;
Memória Suspensa, Caixa Cultural, Brasília, 2009;
SP/Arte, Fundação Bienal de São Paulo, 2009;
Entre Oceanos, Galeria Marta Traba, Memorial da América Latina, 2008;
Quadros Modernos, Galeria Sergio Caribe, São Paulo,2008;
Creative Art Session, Museu Kawasaki, Japão;
Abraços na Arte, Museu Rodin, Salvador,2008;
Laços do Olhar, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2008;
Arte Brasil-Japão Moderno e Atual, MAC-USP, São Paulo, 2008;
Nipo-Brasileiros no acervo da Pinacoteca do Estado, São Paulo, 2008; Seleções da Arte Contemporânea Brasileira, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, 2007;
Aula de Botânica,Galeria da Casa do Brasil, Madri, 2006;
Diretrizes, MAC, Ribeirão Preto, 2003;
Vírgula 7,Galeria Jorge Amado, Paris, 1997;
Meditation/Integration, Plaza Gallery, Tóquio, 1997;
Dimensões da Arte Contemporânea, MAC-USP, São Paulo,1997;
Ocho Artistas del Brasil, MAC, Santiago, 1996;
Nipo-Brasileiros Contemporâneos, MASP, São Paulo, 1996;
Pinturas, Mônica Filgueiras Galeria de Arte, São Paulo,1994;
Emergência, Galeria SESC Paulista, São Paulo, 1988;
A Trama do Gosto, Fundação Bienal de São Paulo, 1987;
Pinturas,Galeria Macunaíma-Funarte, Rio de Janeiro,1985;
1980 e Cinco, Pinacoteca do Estado de São Paulo,1985.

Têm obras em acervos de museus, coleções públicas e particulares.



Críticas

A acumulação, a arte povera e o abstracionismo geométrico compõem um bem acabado trinômio que da eletricidade a produção atual de Ayao Okamoto. Sem a determinação de um código prévio, comum ao artista e ao observador, o artista estabelece a comunicação obra- espectador a partir de uma linguagem centrifugada e centrifugadora, totalmente liberta, que acumula códigos contidos no próprio material, espécie de refugos da sociedade de consumo. Caixas de transporte de alimentos se desconstroem e perdem a função de conter, transportar e preservar para se transformarem em suportes.

Os planos, em baixo e alto relevos, executados com pedaços de tábuas, exibem alguns grafismos naturais decorrentes dos gestos contidos num código banal, escritos sobre as caixas para simplesmente identificar o proprietário da mercadoria. Esses sistemas de comunicação primaria se somam as composições racionais do artista estabelecendo um novo código entre eles e o observador.

Ayao inventa uma linguagem particular trabalhando elementos com significações contraditórias, mas que se complementam. Pintura e objeto se alternam criando massa de tensão, abrindo a discussão e redefinindo o papel do objeto, que ao mesmo tempo faz parte da natureza e o transcende. Nos quadros de Ayao a pintura se faz objeto. uma vez que o traço guardado na memória do gesto se cristaliza em materiais diversos. Por mais estranho que o trabalho possa parecer, a primeira vista. ele ainda se move no universo familiar da pintura. do acúmulo e da ação.

Esses quadros guardam dentro de si o grito de contestação cuja superfície, cruamente recortada por madeiras, plásticos, papelão, costurados com grampos, faz desdobrar um dialogo ininterrupto entre os materiais diversos. A luz que perpassa toda a matéria parece nascida do próprio material e estabelece uma simplificação na percepção da obra.

O tratamento abstrato geométrico não confunde e torna-se o fio condutor que serpenteia o discurso visual permitindo momentos de pequenas assimetrias e alterações dos contornos. Ha ainda composições mais racionalistas, em que o pensamento mais estruturado se reporta a uma simetria de rigorosa geometria.

A acumulações mais acentuada faz emergir um sistema de projeção que sugere profundidade abrindo para uma certa liberalização e mobilidade dos volumes. A superfície não desempenha a função tradicional no trabalho de Ayao em seu estudo sobre a materialidade em que esta implícito o ato de conter, tencionar e plasmar. O pulsar da matéria se prolonga em pianos imaginários. Em quase todos trabalhos ha uma expansão ordenada sob um corte adotado como ponto de partida, mas isso não quer dizer que haja unilateralidade de procedimento.

Análogo à ideia de atualização de seu tempo, Ayao redireciona sua produção acrescentando a sua pintura esse novo olhar. Direto e transformador.

Leonor Amarante
Julho/96

colagem
arte de citações veladas
desfile baboso no papel esmagado
textura cor luz tátil
tecido claro
que aposta reversível especialização
- estamos rodeados e tornamos ao início
grande vidro bandeira mira -
que desvela súbitos Iampejos da tradição
a procura do ouro
do olho
metaestilhaços
vislumbre da cor à procura de brilho
tessitura caleidoscópica das cores
nuances

o tinteiro das transparências
lança
dados de sombra sobre
contra
de desde
em entre a tela
cor - ação
ayao – tintor

arte de quem vela pela alegria
de descobrir
espaço externo
moldura de tonalidades

acrilíquor
que designa
(a tela em pé)
cuspe lírico
líquida inerência à linguagem da cor

quadrilátero de tinta que
escorre
ao acaso
encobre e descobre
espacializações sem limites
plural plural
espaço revisto
geometria de ressonâncias
arte do prosaico
papel de enxugar tinta
industrial seda volátil
a transparecer
paisagem de ar
nos céus da tela

luz e sombra
liquida
ecos da água
brilham fluem perdem-se
no presente intocável
gesto da tinta que escorre
em seu rastro
a sugestão de paisagem
passagem
quietude do movimento
trânsito silencioso

simplicidade desinteresse serenidade

arte de plenitudes

sérgio pizoli






E-mail: ayao15@gmail.com
Telefone: +55 11 99177-6328



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